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8.10.12



Indochina, Capa jumps Jeep, two feet creep up the road
To photo, to record meat lumps and war,
They advance as does his chance – very yellow white flash.
A violent wrench grips mass, rips light, tears limbs like rags,
Burst so high finally Capa lands,
Mine is a watery pit. 
Painless with immense distance
From medic from colleague, friend, enemy, foe, him five yards from his leg, 
From you, Taro.
Do not spray into eyes – I have sprayed you into my eyes.

3:10 pm, Capa pends death, quivers, last rattles, last chokes
All colours and cares glaze to grey, shrivelled and stricken to dots,
Left hand grasps what the body grasps not – le photographe est mort.
3.1415, alive no longer my amour, faded for home May of '54
Doors open like arms my love, 
Painless with a great closeness
To Capa, to Capa Capa dark after nothing, re-united with his leg and with you, Taro. Taro.
Do not spray into eyes – I have sprayed you into my eyes.
Hey Taro!

28.9.12



Se quem escreve cochila, quem traduz sonha” 



(Dicionário de Questões Vernáculas, LCTE; entrada “Tradutore, traditore”, p. 563).

22.8.12

Estes meninos cá segundo entendo não estão talhados pra se casarem. O senhor Inocencinho não gosta da senhora D. Tomasinha. 

— Quem to disse?! — bradou Gervásio. 

— Ora, quem mo disse! Basta vê-lo. Se ele gostasse dela, estava aqui agora aquela menina à espera que ele se resolva? Então já lho ele tinha dito, e acabavam estas caramunhas de parte a parte... Enfim, Senhor Gervásio, queira perdoar o meu atrevimento, mas a minha opinião é que os deixe estar solteiros. O seu filho não lhe faltam noivas; e à menina, se Deus quiser, não lhe hão-de faltar noivos. O melhor dote que ela pode ter é a sua virtude e a carinha de santa que tem.

Castelo Branco, Camilo Ferreira Botelho, 1825-1890

Escurecidão completa!


28.4.12

Respostas na Sombra


“Sofro... Vejo envasado em desespero e lama
Todo o antigo fulgor, que tive na alma boa;
Abandona-me a glória; a ambição me atraiçoa;
Que fazer, para ser como os felizes?”
- Ama!

“Amei... Mas tive a cruz, os cravos, a coroa
De espinhos, e o desdém que humilha, e o dó que infama;
Calcinou-me a irrisão na destruidora chama;
Padeço! Que fazer, para ser bom?”
- Perdoa!

“Perdoei... Mas outra vez, sobre o perdão e a prece,
Tive o opróbrio; e outra vez, sobre a piedade, a injúria;
Desvairo! Que fazer, para o consolo?”
- Esquece!

“Mas lembro... Em sangue e fel, o coração me escorre:
Ranjo os dentes, remordo os punhos, rujo em fúria...
Odeio! Que fazer, para a vingança?”
- Morre!

16.4.12

"Ado" X "Adieu"

An ado is a hubbub, bustle, flurry, or fuss. "Adieu" means "farewell" and comes from Old French that means "I commend you to God." (Grammar Girl)

Ma l'amore e' un dio!



Umberto Tozzi - Eva





Prima o poi di follia scoppiera' mezza umanita' / Su di noi stormi di nucleari avvoltoi
Ma l'amore e' un dio / E saremo io e te l'arca di noe'
Questo amore crea e alla fine / Di questa odissea
Saro' adamo e tu sarai / Una piccola Eva Eva
Il nostro amore e' l'ultima astronave Eva / Staremo stretti ma ci salvera'
Come un uovo di eternita' / Che si torna ad aprire Eva
Abbracciami di mare dolce piovra Eva / E ci respireremo finche' vuoi con
Le ali di arcangelo / Nello spazio di un attimo
Al di la' degli oceani / Anfibi come nuovi
Marinai su New York / Su beirut teschi di mammouth
Su maree di bambini ridotti a bambu' / La mia vita e' un flash
Per chi liscia i bottoni antiatomici / Ma l'amore crea
E alla fine di questa odissea / Saro' adamo e tu sarai
Una piccola Eva Eva / Il nostro amore e' l'ultima astronave Eva
Staremo stretti ma ci salvera' / Come un uovo di eternita'
Che si torna ad aprire Eva / Abbracciami di mare dolce piovra Eva
E ci respireremo finche' vuoi con / Le ali di arcangelo
Nello spazio di un attimo / Al di la' degli oceani
Anfibi come nuovi adamo ed Eva Eva / Il nostro amore e' l'ultima astronave Eva
Staremo stretti ma ci salvera' / Come un uovo di eternita'
Oh mia piccola Eva Eva / Abbracciami di mare dolce piovra Eva
Staremo stretti ma ci salvera' / Come un uovo di eternita'
Oh mia piccola Eva Eva / Abbracciami di mare dolce piovra Eva
Staremo stretti ma ci salvera' / Come un uovo di eternita'

28.3.12

Homenagem (1924-2012)

La dernière translation 

Quando morre um velho tradutor 
Sua alma, anima, soul, 
Já livre do cansativo ofício de verter 
Vai direta pro céu, in cielo, to the heaven,
au ciel, in caelum, zum himmel,
Ou pro inferno, Holle, dos grandes traditori?
Ou um tradutor será considerado
In the minute hierarquia do divino (himm'lisch)
Nem peixe nem água, ni poisson ni l'eau,
Neither water nor fish, nichts, assolutamente niente?
Que irá descobrir de essencial
Esse mero intermediário da semântica
Corretor da Babel universal?
A comunicação definitiva, sem palavras?
Outra vez o verbo inicial?
Saberá, enfim!, se Ele fala hebraico
Ou latim?
Ou ficará infinitamente no infinito
Até ouvir a Voz, Voix, Voce, Voice, Stimme, Vox,
Do Supremo Mistério partindo do Além
Voando como um pássarobirduccelopájarovogel
Se dirigindo a ele em...
E lhe dando, afinal,
A tradução para o Amén?

(Millôr Fernandes)

4.12.11

Making family names plural

Rules for making family names plural (in greeting cards, newsletters, invitations, and so forth):

Add "es" to make most names that end in "ch," "s," "sh," "z," and "x" plural:

- Have you heard from the Birches?
- The Joneses invite you to dinner.
- The Lashes can't come this year.
- Season's greetings from the Alvarezes.
- The Foxes flew to Hawaii.

Add "s" to make names that end in "y" plural:

- The Kennedys throw a great holiday party.

Never use an apostrophe to make a name plural! Apostrophes are for possessives. (Grammar Girl Tips)

6.6.11

"Por uma Vida Melhor", livro do MEC


Todos se envolveram na altercação: os titãs Ataliba CastilhoLuiz Fiorin e Cesar Callegari; nem a Academia Brasileira de Letras deixou por menos. Marcos Bagno, o Ministro da Educação, Associação Brasileira de Linguística, a Associação de Linguística Aplicada do Brasil, o escritor de uma coluna da Revista Caras, muito qualificado, por sinal, ou até alguns deles juntos. A Globo não perdeu tempo, o Jornal Nacional, o professor Sérgio Nogueira, a Veja, e por aí vai.

O fato é que este debate, que começou com admirável e profícua discussão, desafortunadamente se embrenhou também numa querela política. Uma lástima! Alguns bem que tentaram se esquivar desse jogo político, outros caíram na arapuca política fatal.

O ministro da educação foi convocado pelos oposicionistas a dar explicações sobre o tal livro numa nítida tentativa dos não-petistas de transformar a gritaria da imprensa em litígio político. O homem apareceu com um tremendo dossiê advogando pelo livro que, ao que parece, está ainda sendo escrito. Em miúdos: ainda hoje o assunto está mais quente do que nunca!

O notável mestre Bechara falou à última Veja esta semana (1 de julho), mas há quem diga que, neste caso, ele está numa difícil berlinda (a ABL?), até mesmo negando seu ‘lado linguístico’ e sua máxima de que “cada falante é um poliglota na sua própria língua” (“Ensino de gramática. Opressão? Liberdade?”; BECHARA, 1986, págs. 12-13; veja também a primeira parte deste formidável vídeo e este outro do mestre, ambos anteriores à discussão aqui). Não é exatamente isto daqui que o livro doutrina?

Fico observando a mídia, que deveria tão-só difundir o debate, mas tem assumido um ardil tal, caricaturando o evento de modo que atenda sua agenda, que só tributa anuviamento ao público. Nessa questão, coaduno com Caetano, que chamou a reação dos jornais, alardeando uma única “página como se fosse a totalidade dos ensinamentos do livro”, de “açodada”. Nesses últimos dias os jornalistas se elegeram os “fiscais dogmáticos” da norma culta (expressão de João Ubaldo Ribeiro, emprestada aqui) com uma oratória, por ironia do destino, às vezes entupida de norma popular e não poucas vezes tendenciosa e alheia ao escrutínio científico e imparcial.

Sobre o livro em si, 1) ele é destinado a jovens e adultos que não tiveram acesso à escola no devido tempo e chegam às escolas com sua ‘variedade gramatical’; o livro parece reconhecer esse fato e, a partir daqui, quer chegar ali; algo razoável, não? 2) O capítulo em questão se intitula “Escrever é diferente de falar”, razão mais do que suficiente para se acalmar os ânimos dos exaltados; 3) a norma culta permeia todas as centenas de páginas dos 4 volumes desta série; 4) o livro faz parte de um cardápio de livros de português entre os quais os educadores têm o poder de escolher ou não; 5) o Manual do Professor desse mesmo livro orienta os mestres quanto à educação a que as escolas se propõem, de forma que fazer julgamentos parciais ou até jogo político é demais! 

Desse modo, dizer que este livro desensina português é algo bastante questionável e tem sido devidamente debatido pelas três grandes partes interessadas: a linguística, a gramática e os falantes da língua portuguesa especialmente no Brasil.

A mídia tem de distinguir o lugar que lhe cabe bem como o lugar dos políticos, e, como disse Bechara neste vídeo, “é preciso que os profissionais da imprensa voltem a estudar a língua”, porque a televisãozinha, a imprensa e a política brasileira... aff, ninguém merece!!!

3.6.11

Principais dicionários da português

É possível fazer coisas inacreditáveis com a internet hoje, que dirá de uma simples consulta sobre o significado de uma palavra. Com a já presente tecnologia chamada Computação em Nuvens, por exemplo, muitos aplicativos estão migrando para plataformas on-line, evitando que se instale nos computadores pessoais diversos programas. Há, no entanto, aqueles que como eu não dispensam instalar em seu computador um bom aplicativo, seja por dificuldade no que diz respeito à um bom acesso ou mania mesmo. Neste post falaremos dos principais dicionários para se instalar em computadores pessoais.
Os principais dicionários eletrônicos em português hoje são o Aurélio 6.0 e o Houaiss 3.0, ambos, inclusive, perfeitamente utilizáveis no Babylon, embora este último se dê por meio de um atalho que um camarada programador providenciou. Todavia há outros dicionários – alguns gratuitos e excelentes – disponíveis para os que se utilizam dessas imprescindíveis ferramentas. Com exceção dos dicionários em PDF, mais difíceis de manusear, segue abaixo alguns dos bons dicionários português-português disponíveis que podem ser instalados no seu computador. São eles:

Excelente dicionário gratuito no mesmo nível do Aurélio e Houaiss e, em determinados pontos, melhor. O único ponto negativo é que se requer conexão à internet para usá-lo, mas vale a pena fazer o download.

Um pouco antigo (1998), mas um dos melhores trabalhos de regência nominal e verbal disponíveis em livro no Brasil está contido nesse grande dicionário da Editora Ática. É obrigatório para todo aquele que deseja escrever bem o português que fala. Quem tem o privilégio de tê-lo, seja em livro seja o software, está bem equipado quanto às regências.

Outro bom dicionário desenvolvido pela Priberam de Portugal. São pequenos aplicativos para Windows que fornecem boas definições de palavras em português. Requerem internet.

Dicionário Português (Porto Editora)
Dicionário simples desenvolvido também pela Porto Editora de Portugal. Ajuda na hora de consultar uma definição por um dicionário alternativo, e lusitano, é bom que se diga.

Um dicionário de sinônimos gratuito e muito bom desenvolvido há algum tempo pela AOL. Boa ajuda para quando se quer variar um pouco as palavras; funciona mais ou menos como um dicionário de ideias afins.

Grande Dicionário Universal da Língua Portuguesa Luxo
Bom dicionário ‘português de Portugal’, com conjugação de verbos, etc. Pontos negativos: um pouco pesado, exige que o CD permaneça no drive enquanto o utiliza.

Dicionário interessante, alternativo, que ajuda na hora de uma pesquisa onde se procura acepções diversas.

Mais um dicionário (e corretor de ortografia, etc.) desenvolvido pelos irmãos de língua, os portugueses. Promete muita coisa, mas parece que não é muito difundido entre os brasileiros.

Há outros que ainda não testei, alguns que sonho em testar e ainda aqueles que testei mas não valem a pena nem o comentário.
Abraços!

23.2.11

Into, Cantilena e a relação Tradutor X Revisor


Aconteceu quando eu fazia revisões de determinado tradutor recém-admitido à equipe, algoz dos polishes pós-tradução. Suas traduções eram uma estante de neologismos, mas o mais curioso era que ele traduzia a preposição inglesa into como “para o âmago de” praticamente 100% das vezes que a encontrava. Seus argumentos para o devaneio eram os mais variados: iam desde a vindicação do quê de autoria que brinda toda tradução (autoria que o revisor não respeitava), passavam pela potência que assumem preposições gregas tais como eis, e chegavam até à pusilanimidade do português e inabilidade do inglês em preservar aquela força da língua helênica na preposição em questão.
Frustrado por não lograr êxito em cunhar sua esdrúxula representação de into e sem encontrar nenhum dos seus “para o âmago de” nas publicações finais, impressas, o tradutor explodiu em zanga funesta contra o revisor: “QUOSQUE TANDEM CATILINA!!!”.
Quousque tandem abutere Catilina patientia nostra?” é a frase do famoso discurso de Cícero dirigida a Cantilena (Catilina), aplicada com precisão cirúrgica, admito, à conturbada relação Tradutor X Revisor.
Sem muita digladiação, para não acordar os trovões gritadores dessa dialética, tenho de sair em defesa do proofreader. Primeiro, de modo específico sobre a preposição into:
Sabemos das aplicações dessa preposição em inúmeros contextos, principalmente no sentido que indica direção e movimento a um ponto ou para dentro. Mas também pode ser a rota para um destino, colisão, mudança de condição, tempo decorrido, resultado, divisão, operação matemática. É usada para apontar envolvimento e objeto de interesse e até mesmo para indicar curiosidade (CIDE). Todavia, os principais textos reconhecidos pelos decanos da língua inglesa nunca usaram-na com a intenção proposta, substituindo pelo substantivo ‘âmago’. Há ocorrências de ‘âmago’ na tradução de kernel, o que nos leva a concluir que a desejando, o autor inglês poderia citá-la especificamente, ou outra.
‘Âmago’, por sua vez, muitas vezes se refere a um subconjunto de elementos de um sistema maior, como em ‘bojo’, ‘ventre’, ‘centro’, ‘cerne’, ‘interior’, ‘coração’, ‘eixo’, ‘substância’, ‘medula’, ‘essência’, ‘foco’, ‘fundamento’, ‘fundo’, ‘gema’, ‘imo’, ‘núcleo’, ‘íntimo’, ‘meio’, ‘miolo’, ‘quididade’, ‘seio’. Traduzir into the como para “o âmago de” alguma coisa, gera toda sorte de problemas. Muito além das questões de sintaxe que diferem uma preposição de um substantivo, nesse ponto a alegada elegância não justifica a incorreção crassa.
A segunda defesa, desta feita de modo mais geral e em amparo ao árduo e invisível ofício do revisor, é que não é desejo deles testar a paciência do tradutor, como Cantilena fez a Cícero, tentando usurpar ou solapar a posição ou o mérito deste; muito menos deseja o copyeditor defraudar o público alvo, o povo, figurado talvez nas virgens consagradas à Vesta dessa parábola. Neste mote, o revisor possivelmente entenda mais do que o tradutor as palavras do escritor Kurt Vonnegut: “Tenha pena dos leitores”. É, tradutor, tenha pena dos leitores. Não faça de idiotismos idiotice.
A arte de traduzir é, para o tradutor, como dar à luz um filho. Intromissões em seus textos são normalmente vistas como malignas, disso o advertido revisor entende bem. Ademais, e embora existam estudos contrários, do exímio copidesque se exige neutralidade, invisibilidade, nulidade de interpretação, omissão de intervenções tanto quanto possível e respeito à hierarquia estabelecida entre esses profissionais. Todavia, ainda que seja notório para os revisores (assim como para uma nata de leitores) o quê de autoria em toda tradução, "autoria" esta engatada pelos grandessíssimos esforços contrários do tradutor, o que é encarado com estranhamento naquele que traduz é o desejo deliberado de autoria – a esses se aplica a conhecida expressão italiana: traduttore traditore.

Babylon 9, feito nas coxas

O Babylon 9 saiu, mas parece que foi feito nas coxas! A versão 9.0.0 r.30, em português, dessa grande ferramenta foi disponibilizada com alguns errinhos crassos de português, além de não respeitar as regras da reforma ortográfica vigente (ou que ainda vigerá?). O layout do Babylon 9.0.0 mistura o Novo com o “Velho" Acordo, e pese que a grande proposta desde o Babylon 7 é sua ferramenta de Revisão de Textos integrada com diversos aplicativos do Windows, como o navegador da internet, por exemplo. O Babylon 9 anuncia que já se adequou ao Novo Acordo Ortográfico. Pode até ser verdade, mas os textos do próprio Babylon não passam nesse crivo.

Com alguns aprimoramentos visuais, como é o caso do efeito tipo Aero na hora de minimizar, fechar e abrir, a grande novidade fica por conta das abas superiores que classificam seus dicionários por idioma alvo. Esse pode ser um recurso bonitinho, mas parece que o modo tradicional de navegação entre os dicionários instalados ainda é bem melhor. Se ao menos fosse possível mover os dicionários entre as abas... Há, todavia, a opção de escolher o modo tradicional de exibição dos dicionários.

Outra grande novidade é o Pergunte à Comunidade; uma funcionalidade que certamente vai ajudar muito na hora de consultar um termo mais complicado; afinal, tradução não é uma ciência exata: uma gama de dicionários não resolve tudo num pestanejar.

Layout do Babylon 9 não respeita Acordo 





Há outras novidadezinhas, como a maior integração com os aplicativos do Windows, a opção de mostrar o botão Babylon nas janelas de aplicativos, ao lado dos botões minimizar, restaurar e fechar, a função Tradução da (sic.) Página da Web, etc. Mas nada que justifica uma nova versão; isso, somado aos erros de português, pode denunciar uma sofreguidão por vender, vender. Vamos dar nota 6,5, por ora, para o dito-cujo.

Wordfast anywhere

Uma dos fados do profissional de tradução é que seu ofício lhe permite levar seus quefazeres para seu lar. O Wordfast, que conhece o tradutor como a palma de sua mão, disponibilizou uma ferramenta que pode intensificar ainda mais essa sina: é o . O nome já diz tudo: em qualquer lugar! O Wordfast se lança, dessa forma, na neo-tendência – a nova ordem mundial do universo dos softwares – chamada cloud computing.
Computação em nuvens não é nada mais que softwares instalados em servidores, em vez de em PCs, evitando-se assim a quebra de segurança em troca de funcionalidades diversas. Várias Empresas já disponibilizam essa nova mania para seus usuários, a computação em nuvens, principalmente as ferramentas Google e Microsoft, grandes interessadas no negócio.
O dá ao usuário a possibilidade de se utilizar da ferramenta sem precisar instalá-la em seu PC, além de ser possível acessá-la de qualquer lugar, on-line, com todas as propriedades que a versão “off” tem. Você também pode uploadar suas memórias, glossários, arquivos etc. Se cadastrando no site, você pode carregar no aplicativo arquivos .txt, .txml, .doc, .docx, .rtf, .ppt, .xls, .mif (FrameMaker), .inx (arquivos InDesign), e .pdf, mesmo em .zip.
É uma ferramenta bem revolucionária. Agora não há férias certas para o pobre tradutor!

28.1.11

La Dernière Translation

by Millôr Fernandes
When an old translator dies
Does his soul, alma, anima,
Free now of its wearisome craft
Of rendering
Go straight to heaven, ao céu,
al cielo, au ciel, zum Himmel,
Or to the hell - Hölle - of the great
traditori?
Or will a translator be considered
In the minute hierarchy of the divine
(himmlisch)
Neither fish, nor water, ni poisson ni l'eau
Nem água, nem peixe, nichts, assolutamente
niente?
What of the essential will this
mere intermediary of semantics, broker
of the universal Babel, discover?
Definitive communication, without words?
Once again the first word?
Will he learn, finally!,
Whether HE speaks Hebrew
Or Latin?
Or will he remain infinitely
In the infinite
Until he hears the Voice, Voz, Voix, Voce,
Stimme, Vox,
Of the Supreme Mystery
Corning from beyond
Flying like a birdpássarouccelopájarovogel
Addressing him in...
And giving at last
The translation of Amen?

- translated from Brazilian Portuguese by Clifford E. Landers, Literary Translation - A Pratical Guide, p. viii.

25.1.11

The Translator’s Invisibility

"I see translation as the attempt to produce a text so transparent that it does not seem to be translated. A good translation is like a pane of glass. You only notice that it’s there when there are little imperfections — scratches, bubbles. Ideally, there shouldn’t be any. It should never call attention to itself."
Norman Shapiro

22.1.11

Boa sorte




Boa Sorte / Good Luck
Composição: Vanessa da Mata e Ben Harper

É só isso
Não tem mais jeito
Acabou, 
Boa sorte
Não tenho o que dizer
São só palavras
E o que eu sinto não mudará

Tudo o que quer me dar
É demais, é pesado
Não há paz
Tudo o que quer de mim
Irreais
Expectativas desleais

That's it
There is no way
It's over
Good luck
I have nothing left to say
It's only words
And what l feel
Won't change

[Refrão]
Tudo o que quer me dar (Everything you want to give me)
É demais (It too much)
É pesado (It's too heavy)
Não há paz (There's no peace)
Tudo o que quer de mim (All you want from me)
Irreais (Isn´t real)
Expectativas (Expectations)
Desleais

Mesmo, se segure
Quero que se cure
Dessa pessoa que o aconselha
Há um desencontro
Veja por esse ponto
Há tantas pessoas especiais

Now even if you hold yourself
I want you to get cured
From this person
Who advises you
There is a disconnection
See through this point of view
There are so many special people in the world
So many special people in the world... in the world
All you want all you want
[Refrão]

Now I’m falling, falling into the night,
Now I’m falling, falling into the night (into the night),
I am falling, falling into the night,
We're falling, falling, falling into the night (bom encontro é de dois).

9.1.11

O consenso da dessemelhança

Que o português falado e escrito no Brasil conserva distanciamentos naturais do português de Portugal e de outras partes do mundo, isso todos já sabem; mas quando o assunto é colocação de pronomes oblíquos átonos, aí a coisa esquenta. Temos nesse objeto uma das maiores, ou talvez a maior das evidências dessa disparidade.
Seja na escrita seja na língua falada, a preferência dos brasileiros é próclise, mesmo que ocorra em abertura de períodos. Sei que os trovões gritadores da dialética gramatical atroaram agora mesmo; por isso, me permitam dizer que há, obviamente, as ressalvas adequadas quando o caso é regulamento culto.
A linguística não nos seria bem útil neste mote? A próclise, justifica Sacconi, é favorita dos brasileiros por causa dos “padrões fonéticos por nós utilizados”, que são diferentes dos aplicados pelos lusitanos.
O Novo Manual da Redação da Folha de São Paulo é particularmente esclarecedor; ele explica:
Os pronomes oblíquos (me, te, se, lhe, o, a, nos, vos) são pronunciados de forma diferente em Portugal e no Brasil. Jamais ocorreria a um português, por menos instruído que fosse, dizer: Me parece que. O e do me praticamente não é pronunciado em Portugal e assim o me antes do parece formaria um encontro consonântico de difícil pronúncia: m'p'rece q. (p. 61, 1992)

Acresço, de forma parentética, ainda outro pensamento de Sacconi:
Não convém usar o hífen nos tempos compostos e nas locuções verbais, pois, na fala brasileira, o pronome oblíquo se liga foneticamente ao verbo principal, e não ao verbo auxiliar, justamente por essa razão é que se ouve e vê comumente:
Vamos nos unir! (Na pronúncia: Vamos nozunir!)
Íamos nos retratar. (Na pronúncia: Vamos nosretratar.)
Mesmo quando aparece um fator de próclise, nos tempos compostos e nas locuções verbais, a preferência, na fala brasileira, é pela colocação do pronome solto entre os verbos. Se não, vejamos:
Não vamos nos aliar a corruptos!
Já íamos nos separar!
Dificilmente entre nós encontramos a colocação típica de Portugal:
Não nos vamos aliar a corruptos!
Ou: Não vamos aliar-nos a corruptos!
nos íamos nos separar!
Ou: Já íamos separar-nos!
Nos tempos compostos, o pronome só não poderá aparecer após o particípio. Assim, temos estas colocações:
Eu me tenho deliciado com Machado de Assis.
Eu tenho me deliciado com Machado de Assis. (Preferida no Brasil)

Essa é uma “característica do português do Brasil que não é mais possível desprezar” (1997, Eduardo Martins, Manual de Redação e Estilo O Estado de São Paulo):
Ele estava se preparando para sair. / Falta d’água pode se agravar hoje. / Ele tinha se revoltado contra o pai. / Devia estar se aborrecendo com tudo aquilo. / Queria se livrar do amigo. / Vai se casar esta semana. / Esses homens podem nos ajudar. / Venho lhe trazer o meu apoio. / Tinha nos decepcionado (p. 70).

Fechados os parêntesis, parece que a dissonância linguística entre nós, irmãos de língua, se dá porque o que chamamos de pronomes oblíquos átonos já não assim tão átonos para os brasilianos:
No Brasil, os pronomes oblíquos têm uma pronúncia mais acentuada. Já deixaram de ser átonos e caminham em direção ao tonalismo; hoje são semitônicos. (O Novo Manual da Redação da Folha de São Paulo, p. 61)
Na pronúncia do Brasil, as formas pronominais oblíquas não são completamente átonas; são, antes, semitônicas. Assim se explica por que entre nós é predominante a tendência para a próclise: Ele terá de se calar. É o que eu queria lhe dizer. As pessoas foram se retirando. Me empreste o livro. (1984, Domingos Paschoal Cegalla, Novíssima Gramática da Língua Portuguesa, p. 444)

Observe atentamente no exemplo acima, onde se diz: “Me empreste o livro”, por Cegalla. Temos, portanto, ocorrências não somente quando o âmbito é a língua falada, pois foi sem reverenciar Napoleão Mendes e seu cabedal de ilustres nomes arrolados no Dicionário de Questões Vernáculas (1994, p. 445) que Érico Veríssimo, Rubem Braga e O Globo se juntaram a Cegalla para iniciar suas frases com próclise:
Me puxou para um lado e me contou que cancelou a viagem.” (Érico Veríssimo)
Me dê esse canivete, meu irmão.” (Rubem Braga)
Me deram até um contrato. Pensei: ‘Meu Deus, eu não entendo nada de televisão’.” (O Globo)
Não obstante, nos exames a que se precede no país há uma notória e nem sempre justificada preferência pela colocação pronominal de uso em Portugal, e não pela nossa topologia”. (Nossa Gramática Contemporânea, p. 360)

Por fim, algumas considerações a mais de um ou dois manuais de redação:
·         A situação dos pronomes pessoais oblíquos em relação aos verbos é diferente no Brasil e em Portugal: há diferença também entre a linguagem falada e a linguagem escrita.
·         O pronome oblíquo abre a frase na linguagem falada: “Me dê a faca.” No jornal, essa forma não é aceitável, a não ser em textos de cronistas.
·         É de uso mais comum no português do Brasil a ênclise (verbo antes do pronome): “Ela deve me ajudar” (em Portugal, “ela deve-me ajudar”).
·         Deve-se evitar a mesóclise (o pronome “dentro” do verbo: “fá-lo-ei”), que soa mal ao ouvido brasileiro. (O GLOBO, Manual de Redação e Estilo - São Paulo, 1994)
·         Trata-se de questão problemática. Há diferenças entre o padrão português e o brasileiro.
·         Com exceção de um ou outro caso, a tendência da Folha é adotar a colocação pronominal brasileira. (2010, Folha de São Paulo, Manual da Redação)

Termino, assim, em lugar nenhum e como comecei: no consenso da dessemelhança.
(Fidus)

7.1.11

Google Ngram Viewer

 O Google lançou uma ferramenta curiosa: um sistema que faz uma varredura em mais de cinco milhões de livros, pesquisando o uso de palavras nos últimos 508 anos (http://ngrams.googlelabs.com/). O sistema exibe, numa linha do tempo cujo período é escolhido pelo usuário, um gráfico comparativo do uso entre mais de uma palavra.
 Essa é mais um utensílio fantástico do Google, um instrumento útil para os que lidam com as palavras, visto que é possível, entre muitas outras coisas, aferir o valor histórico de determinados termos no nicho literário, âmbito de varrição do sistema.
 Ponto negativo: não temos em português 'ainda'(?).
 Bom, enquanto não sai em língua portuguesa, vamos ver se para nós, os que lidam com as palavras, inclusive inglesas, além de uma brincadeirinha divertida, quem sabe numa hora dessas esse troço tenha alguma serventia graúda.